Tenente, faço de seus comentários um post para tenha maior visibilidade, e que outros tenham conhecimento que a vida do pessoal da saúde no CBMERJ não é tão boa quanto imaginam. Mantive seu nome em sigilo para evitar possíveis represálias.
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Pois é... vim aqui para postar um desabafo e que com certeza afeta a todos os recém concursados para o quadro de saúde e indiretamente também a combatentes. A SAMU e às UPAs incorporadas ao CBMERJ. Postarei em partes pois o texto é muito extenso
Vivência diária de TODOS OS MILITARES DA SAÚDE, praças e oficiais: A grande insatisfação de trabalhar nas UPAs e no SAMU.
A pergunta é quase que diária nas UPAs: Quando os civís vão assumir ? Quando sairemos daqui ?
Enquanto isso, na outra ponta vemos todos na ambulância perguntarmos uns aos outros: "E aí, quando a SAMU sai dos bombeiros ? Vai sair mesmo ?"
Em primeiro lugar convém esclarecer algumas coisas: E e ao menos todos os bombeiros que conheço NÃO SÃO CONTRA A EXISTÊNCIA DO SAMU. Quantos as UPAs não sei, mas pessoalmente falando, EU NÃO SOU CONTRA. Mas algumas coisas precisam ser esclarecidas.
Vejam, a SAMU existe, DEVE EXISTIR, mas é um modelo de pré-hospitalar completamente diferente (e de escola diferente também) do que sempre foi praticado pelo bombeiro. Ela desde que seja coordenada, administrada e exercida com resolutividade é uma excelente oportunidade de desafogar hospitais com o tratamento domiciliar de quadros agudizados.
Entretanto, o que se observa e nós vivemos é o sucateamento das viaturas. A porta da minha viatura cansou de cair, e vários problemas mecânicos me deixaram parados em diversos locais. Da última vez, fiquei parado na Rua Marechal Marciano, em Padre Miguel.
Apesar de rota para o retorno do quartel onde até janeiro eu era fixo, tal localidade é reconhecida como parte da Vila Vintém, que é uma comunidade conhecida por muitos não só pela "Mocidade" mas também pelo tráfico e violência.
Há uma série de viaturas quebradas e isso pode ser visto facilmente na TOESA que agora administra (para insatisfação de muitos) o concerto das viaturas. os restos de viatura outrora no CSM, hoje ganham a TOESA. É um sem-número de concertos mal-fadados com retornos as vezes no mesmo dia ! Há alguns dias atrás, recebi o informe de que eram mais de 50 viaturas quebradas.
Reboques que demoram um dia inteiro para chegar, etc. Tudo bem que no CSM não era tão diferente, mas lá ao menos, ainda conseguia-se voltar com a viatura que tinha um concerto que durava bem mais que agora.
Outro ponto é a forçada de barra para entrarmos em comunidades perigosas. Muitas vezes somos intimados a entrar em comunidades com bandidos fortemente armadas e que NÃO GOSTAM DE BOMBEIROS por acharem que todos são milicianos. Várias vezes passamos ameaças fortíssimas as quais o comando com certeza não sente o mesmo de quem está na ponta.
Há vários atendimentos duplicados, duas ou mais viaturas mandadas para o mesmo lugar. ALém disso há sim INJUSTIÇA na remuneração. Falarei por nós oficiais enfermeiros que trabalhamos em uma escala superior a outros oficiais de mesmo posto ou por conta de um posto a mais. Nós assim como os assistentes sociais e psicólogos entramos com um posto abaixo em relação a farmacêuticos, dentistas e médicos. Médicos, téc. enf e condutores ganham gratificação por plantão extra, oficiais enfermeiros não, só se quiserem correr 24X48, um ABSURDO !
Sem contar com a novidade: O CBMERJ (não sei até que ponto o 1ºGSE participa disso) entregou para cada quartel 4 macas de hospital,pintadas de vermelho e com números de série para substituírmos os pacientes, presos em macas de viaturas (fato que cresceu vertiginosamente e se tornou uma constante esperada inclusive para o serviço). De quebra, segundo nossos superiores, nós da ponta também somos encarregados de vigiar essa maca.
Essa "tática" está sim, fadada ao fracasso pois alguns hospitais tomam essas macas ára si, somem com elas ou colchões delas. E já faziam isso com macas de outras ambulâncias. Sem contar no sem número de paciente domiciliares que são removidos quando o que necessitam no momento é atendimento ambulatorial !!!!!!!
Muitos socorros são pouquíssimo resolutivos pois contamos com VTRs básicas só com soros (o que fazer com paciente clínicos sendo assim ????), "intermediárias" (que nem existem para o ministério da saúde) com suporte medicamentoso baixíssimo e a falta de instrumentais e protocolos de autonomia para o oficial enfermeiro agir. E avançadas que fazem apenas transferências em alguns quarteis, que passam horas na rua e as vezes nem conseguem chegar ao rancho
No 2ª GSE é outra situação, muitas UPAs já tem falta de especialidades, muitas baixas assim como ocorre no 1º GSE. A UPA é uma boa idéia sim, mas utilizada de forma ERRADA. Os hospitais deveriam ser completamente funcionais para atender a demanda da UPA, o que Não acontece. Um paciente que deveria ficar lá no máximo por 48h, fica 1 semana, 2 semanas...
Além disso, as UPAs deveriam ter sua estrutura física e insumos PRÓPRIOS DO GOVERNO E NÃO ALUGADOS E UMA EMPRESA ! E ainda, acrescento que falta investimento em atenção básica de programas do ministério da saúde.
O que vivemos são embustes pouco/nada resolutivos. Estamos sobrecarregados e exaustos, várias foram às vezes em que eu tive que manter meu condutor acordado pois o mesmo não agüentando de sono e cansaço, estava visivelmente sonolento ! Quantas vezes avancei para socorro sem maca. Enfim se alguém me observar falando desse jeito, pode ser que eu seja punido, o que me prejudicaria em outro emprego (pois o que eu ganho não é suficiente para me sustentar), mas arriada por arriada, esse serviço atual configura uma.
Bem gente, lugar de bombeiro é correndo para rua e locais públicos fazendo SALVAMENTO e tudo do estatuto... aguardo tempos melhores...
UNIDADES DE POLÍCIA PACIFICADORA - A VERDADE.
3 horas atrás